Diário de Um Jardim

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terça-feira, agosto 17, 2004

O Eclipse de um Amor - Parte 1: Um girassol Tonto

Nada é mais terrível para um Girassol do que um eclipse. Quando eclipses ocorrem, eles mostram para os Girassóis que aquilo que ele tinha como mais certo e imutável (que o sol estará sempre lá, à despeito do Girassol) se torna duvidoso. É um momento em que ele sabe onde o sol deveria estar mas ele não consegue vê-lo. Por causa disso ele começa a girar sem rumo em todas as direções buscando o astro rei. E isso o deixa tonto.
A lua começava a se pôr na frente do sol quando o Girassol encontrou a Joaninha. Mal sabia ele os percalços que a Joaninha tinha atravessado naquele dia. Uma manhã fria fizera com que o orvalho se acumulasse no jardim e ela se cansara muito tentando se desviar das gotas d’água até conseguir chegar perto do Girassol. Mas quem disse que ele enxergava isso. Era bem capaz de nessa hora ele não estar mais enxergando nada. Na verdade ele já havia perdido totalmente a noção do que era certo ou duvidoso naquele momento. E munido dessa falsaquasecertezaduvidosa foi que ele dialogou com a Joaninha. Dialogou não, monologou. Sim, monologou, pois a Joaninha tão cansada estava que mal tinha forças para argumentar. Seus pensamentos não conseguiam se focar para acompanhar o raciocínio do Girassol; o cansaço entorpecia seus sentidos. Mas que raciocínio havia para se acompanhar ali? O Girassol usava justificativas fracas e prerrogativas sem nexo para justificar uma decisão sem motivo. Mas, por fim, ela se deu pôr vencida e partiu, deixando o Girassol sozinho. Havia uma sutil alegria no Girassol quando a Joaninha se afastou: finalmente ele estava livre das amarras que o prendiam a ela. E esse sentimento o alimentou e o nutriu... até ele encontrar sua amiga triste. Ela ouviu o girassol falar que seu amor pela Joaninha acabara e que os dois haviam decidido seguir trilhas diferentes. Mas a amiga do Girassol possuía o dom único do sexo frágil: a capacidade de sempre ver a verdade. E ela pegou essa verdade e a cantou para o Girassol.

River
(Joni Mitchell)

It’s coming on christmas
They’re cutting down trees
They’re putting up reindeer
And singing songs of joy and peace
Oh I wish I had a river
I could skate away on
But it don’t snow here
It stays pretty green
I’m going to make a lot of money
Then I’m going to quit this crazy scene
I wish I had a river
I could skate away on
I wish I had a river so long
I would teach my feet to fly
Oh I wish I had a river
I could skate away on
I made my baby cry

He tried hard to help me
You know, he put me at ease
And he loved me so naughty
Made me weak in the knees
Oh I wish I had a river
I could skate away on
I’m so hard to handle
I’m selfish and I’m sad
Now I’ve gone and lost the best baby
That I ever had
Oh I wish I had a river
I could skate away on
I wish I had a river so long
I would teach my feet to fly
Oh I wish I had a river
I made my baby say goodbye

It’s coming on christmas
They’re cutting down trees
They’re putting up reindeer
And singing songs of joy and peace
I wish I had a river
I could skate away on

Quando ela terminou o Girassol via que a lua já estava quase na metade do sol. Ele respirou profundamente e disse para sua amiga:
- Você está certa em uma coisa: eu sou alguém difícil de se lidar. E talvez eu também seja um pouco egoísta. Mas não estou triste. Eu fiz o que era correto. O que eu sentia pôr ela não me fazia mais sentir os joelhos bambos. E se isso não acontecia, quer dizer que não era mais amor. Eu vou esquecê-la e não me arrependerei quando o Natal chegar.
A amiga triste quis acreditar no Girassol. Ou assim ele quis pensar quando ela se calou e nada mais disse pelo resto do dia. Mas ela via a verdade que ele teimava em não querer enxergar...

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