Diário de Um Jardim

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segunda-feira, abril 11, 2005

A chegada da orquídea azul

O Sol acabara de esconder-se. Não somente de mim, mas de todo o jardim. O ar suspendia em si uma profusão de odores. Como que por instinto, dediquei-me amigavelmente a distingui-los um a um - não que os conhecesse de cor; mas fazia-o para sentir-me útil. Os outros atiravam-me olhares silenciosos, um silêncio, que zumbia-me à existência. Senti-me tão pequena diante deles que, resolvi, estremecida, recolher-me em mim.
Meus pensamentos, minha existência, tudo inscrito na violência precisa da novidade. E eu era uma estranha naquele jardim. Uma intrusa perdida.
Aos poucos a noite foi abraçando o ambiente e refletia, no chão, a luz indireta da Lua que, sem propósito, prateava o solo negro do jardim.
Eu estava circundada, apavorada com a frieza da recpção. Então, suave e carinhoso, o vento acariciou-me. Fiquei feliz! Adormeci ao sabor gelado do solo, que me nutria; e ao barulho sinfônico do vento, que me acolhia. Era um novo dia!