Diário de Um Jardim

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domingo, maio 22, 2005

Não sei como dizer...Mas estou triste!

Di�rio de Um Jardim

O cinza da manhã parece ser extensão de mim. O vento agradável, que sopra frio, aquece intimamente minha tristeza. Como queria poder partir em longas caminhadas_a via- crucis da minha frágil existência. Em busca de mim? Ou em busca do que eu nem sei o que é? Acontece que, hoje, estou tão confusa quantos os gentis novelos de lã grossa e protetora utilizados por minha avó: Orquídea Maior.
Sinto o mundo sobre meus ombros, a responsabilidade de ter que conviver docemente com o que me incomoda. Tenho um sentimento de fera quando sou apenas uma flor, curvada às suas próprias vontades. Como queria não sofrer; não ouvir a voz que sopra de dentro de mim_que me faz infeliz quando tudo o que busco é a felicidade.
E a chuva se derrama sobre o dia! Oh dia que me conduz insano à beira! Estou à margem da minha existência_à margem do meu próprio calor: brilho de sol esmorecido pela vida. E não tem volta...Voltar a ser feliz é batalha perdida.Um sorriso que não sai.
Respiro fundo: um suspiro de desconforto; uma cruel tentativa de me libertar. E de quê? Um sono profundo. Já não faço mais sentido. E para que fazer sentido? A beleza da vida esconde-se no sentido que não se encontra.Eu nasci e não faço sentido. A vida da vida não faz sentido. O que no mundo faz sentido? As formigas talvez.Mas não sou formiga_uma formiga é alheia às dores do mundo. E eu? Há sentido em sentir as dores do mundo? O mundo é a própria dor do mundo! Eu, então, sou minha própria dor_íntima e solitária como um astro que paira na imensidão azul.


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