Diário de Um Jardim

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sábado, novembro 26, 2005

Ainda o Tempo...


"Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não o tenho. Pesa-me um como a possibilidade de tudo, o outro como a realidade de nada. Não tenho esperança nem saudades. Conhecendo o que tem sido a minha vida até hoje - tantas vezes e em tanto o contrário do que eu a desejara -, que posso presumir da minha vida de amanhã, senão que será o que não presumo, o que não quero, o que me acontece de fora, até através da minha vontade?
Nem tenho nada no meu passado que relembre com o desejo inútil de o repetir. Nunca fui senão um vestígio e um simulacro de mim. O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto...
Não quero mais da vida do que senti-la perder-se nestas tardes imprevistas...
"

Do “Livro do Desassossego”, Fernando Pessoa.

1 Comentários:

Blogger Rosa disse...

Gostei da figura. O tempo é mesmo como a onda do mar: devasta e vai-se embora, deixando estragos e poupando algo para a próxima onda...

1:18 AM  

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