Diário de Um Jardim

<<-@ ... As divagações filosóficas de uma rosa e seus amigos ... @->>

sábado, fevereiro 12, 2005

Livrando-se das Ervas Daninhas

Levei um grande susto quando afinal percebi o jardim! Quantas plantas desconhecidas estão agora entre mim e meus velhos amigos... já nem consigo vislumbrar bem o Girassol. A Abelha, ainda bem que tem asinhas, assim ainda posso vê-la de vez em quando.
Mas o Girassol... não há jeito para nós. Temos, afinal, a mesma natureza: aprisionados estamos, enraizados em lugares diferentes. Não quero, porém, ser egoísta! As novas plantinhas do jardim têm sido seus amigos mais próximos. E se ele está feliz, então também estou.
Porém, agora tenho percebido umas certas plantas traiçoeiras que surgiram próximas de mim...não sei quem as trouxe: o vento, algum insetinho ou pequeno animal inocente, ou talvez não. O certo é que elas gostam de disseminar os maus sentimentos: tentam me convencer, a todo custo, que estou sozinha, como antes, como sempre. E que não há mais ninguém que se importe.
Eu me esforço bastante pra não acreditar nelas. Mas às vezes é tão difícil...elas conhecem bem meu ponto fraco! Gostaria de apenas ignorá-las, gostaria de mostrar a elas que estão erradas, que meu pequenino jardim me ama, e eu a ele; que somos uma família, a despeito de qualquer coisa ou situação.
Ainda não me entreguei, no entanto. Quando tudo fica insurpotável demais, eu crio asas de borboleta e vôo longe, e tudo o que ouço são murmúrios falsos que já não possuem significado algum.

1 Comentários:

Blogger Caracol disse...

Desculpem-me pela intromissão. Digo desde já que não sou jardineiro, mas gosto muito de flores e belos jardins. Outrora tive medo de abelha, mas não é mais o caso. Sua graciosidade, fluidez e, principalmente, sua paixão em sempre recomeçar, me encantam. Aliás, foi através do zumbido de uma certa abelha que fiquei sabendo da existência desse jardim. E a curiosidade não cessou, ..., será algo como o “Jardim de Epicuro”? ... Tive que conferir!

Considerem-me um caracol de jardim, desses que vivem à sombra das flores, em sua longa obstinação. O que seria dele se, ao levantar os olhos, não se deparasse com a irresistível beleza das flores. E, sem estas, seu mundo não seria apenas menos belo, mas sim, muito mais perigoso. Caracóis são delicados e torram-se ao sol direto. Do jardim, ele ainda vislumbra a abelhinha em seu vôo ao cair da tarde, ..., tão perto e tão distante... Digna de admiração, porquanto emancipada das condições telúricas.

O girassol segue a sua luz. O caracol, por vezes, não acredita que exista algo a ser seguido. Vive sobre a terra úmida e, às vezes, sente-se, ele próprio, terra também.

E a Rosa? Será uma cativante rosa vermelha? Uma tranqüila rosa branca? Uma sincera rosa amarela? Uma indecifrável rosa chá? Uma autêntica rosa rosa? (Por que a fixação em tipos tão puros? Não seria melhor uma combinação de todas elas?). Ele não a viu. Mas, ao entrar no jardim, percebeu sua presença, sentiu seu perfume e, neste pequeno universo, medido pelo espaço sem céu e pelo tempo sem profundidade, o caracol disse consigo mesmo: “Acho que tudo está bem”, e essa é uma fala sagrada, ..., de tantas reminiscências ..., pois ela ecoa neste universo feroz e limitado (um jardim!?) e o lembra que tudo não foi e não está esgotado ... Sentiu-se bem. E este contentamento silencioso o acompanhará em sua procura (O que procura o caracol?) ... Cada grão desse jardim, cada pedrinha, cada flor, para ele constituem um mundo. E o caracol, continuando sua busca, reconhece que a própria busca é suficiente para preencher um coração humano (ops!, digo, de caracol).

Certamente, ao percorrer as alamedas e recônditos deste jardim, o caracol formou, ainda que intuitivamente, algumas idéias acerca de seus habitantes. Contudo, não poderia externá-las antes de seguir o conselho de Montaigne, ou seja, falar de si próprio. Talvez, à guisa de apresentação.

7:02 PM  

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