Diário de Um Jardim

<<-@ ... As divagações filosóficas de uma rosa e seus amigos ... @->>

sábado, novembro 26, 2005

Ainda o Tempo...


"Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não o tenho. Pesa-me um como a possibilidade de tudo, o outro como a realidade de nada. Não tenho esperança nem saudades. Conhecendo o que tem sido a minha vida até hoje - tantas vezes e em tanto o contrário do que eu a desejara -, que posso presumir da minha vida de amanhã, senão que será o que não presumo, o que não quero, o que me acontece de fora, até através da minha vontade?
Nem tenho nada no meu passado que relembre com o desejo inútil de o repetir. Nunca fui senão um vestígio e um simulacro de mim. O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto...
Não quero mais da vida do que senti-la perder-se nestas tardes imprevistas...
"

Do “Livro do Desassossego”, Fernando Pessoa.

sexta-feira, novembro 11, 2005

Tempo, Esperanças e Destruição

Há tempos não passava por este Jardim. Não que não sentisse falta ..., pois um lugar com criaturas tão doces quanto sensíveis, sempre evoca a nostalgia das brincadeiras infantis e seu aconchego, quando então os problemas insolúveis pareciam tão distantes... Mas é que, por um lado, a realidade inquebrantável cobra seu preço todos os dias, subtraindo-nos o que temos de mais precioso – talvez, o tempo e a alma -, por outro lado, o que nestes últimos tempos tem sido, para mim, fonte de grande alegria, parece-me agora muito distante... Talvez, perdido. É impressionante o que uma seqüência de dias e a falta de diálogo podem fazer...
Contudo, talvez em virtude do significado que teve, para mim, os últimos dias, hoje senti falta de muitas coisas, de presenças marcantes e uma grande vontade de percorrer as alamedas e recantos desse Jardim. Ao entrar, deparo-me imediatamente, com a profusão de reflexões da Rosa e, lendo-as, percebo que são tão semelhantes às minhas... Ah! O Tempo... Sempre impedindo que os momentos felizes se eternizem, fazendo com que o que há de mais sublime escorra pelos dedos das mãos que procuram se encontrar... Ah! Um beijo na testa deveria durar para sempre!...
Unilateralidade..., eis outro grande obstáculo... Por mais que se tenha sentimentos e pensamentos (em si, belos e fascinantes...)... A realidade insiste em tornar tudo um grande monólogo... Relações banais! Mas, eu não consigo viver na superfície... Nas meias verdades... E as relações banais só conseguem me causar asco! E eu, parafraseando as palavras da Rosa, posso dizer: “E eu ansiando consertar tudo! E eu desejando agregar (odiando separar), almejando encontrar valor, transpor o intransponível, o quase impossível...e eu querendo mudar o rumo, tirar o mundo do lugar-comum (eu mesmo querendo, ardentemente, sair do lugar-comum), e eu tão visionário... ... ... mas apenas um caracol.” Ah! Sinto-me tão cansado... ... Não me encontro... Chego tão tarde... Tento aqui, dizer, com palavras, o que não pode ser dito... Mas, lembro-me do poeta que advertia: “... E as palavras serão servas de estranha majestade. É tudo estranho...”(C.D.A.).
Quanto à Rosa, após tanto tempo, foi bom sentir-lhe a presença novamente. Certamente, o Jardim permanece este lugar ao mesmo tempo aprazível e inquietante devido a sua abnegação. Possam as nossas (ao menos, as dela) reflexões encontrar eco em algum lugar ou, ainda que não seja esse o caso, ao menos temos tentado, ainda que de forma imperfeita e limitada, exprimir tais sentimentos e impressões... Creio que na busca por Algo de Felicidade... Mas como? Com umas trilhas tão estreitas?...

quarta-feira, novembro 02, 2005

Tempo, tempo, tempo! Sempre o tempo! Nunca o tempo...

Um instante é tão fugidio, pontual...triste que o tempo, sendo um conjunto destes pontos, seja um grande borrão desordenado que nos obriga ao desespero profundo de quase não sentir o prazer de um momento e, mesmo assim, ter que suportar o fardo dos anos.